Manhã ouvindo "A Christmas Album" e "Funny lady"...
A inspiração: ao ler "notas sobre Camp" de Susan Sontag no meio do meu camp café-da-manhã.



A Urca, o Cariri, o Ceará perderam um grande profissional. E quando isso acontece não há nada o que ser feito a não ser sentar no meio fio e chorar. Rios em prantos arquejados. O diretor de Teatro e quase-ex-professor da sofrida Universidade Estadual do Cariri (URCA), Duílio Cunha alçará em breve vôos federais e paraibanos deixando um vácuo em nossas mentes e sensibilidades. Sem falar do vácuo na própria arte caririence. Supérfluo falar de seu talento, supérfluo falar de seu teatro [que só tive oportunidade de ver o "alto de natal"; "Charivari" e a assessoria teatral de "Burra"], quero falar da pessoa.
"[..]BERTHA YOUNG ainda tinha desses momentos em que queria correr em vez de caminhar, ensaiar passos de dança subindo e descendo da calçada, sair rolando um aro pela rua, jogar qualquer coisa para o alto e agarrar outra vez em pleno ar, ou apenas ficar quieta e simplesmente rir - rir - à-toa.
[Imagem do blog: http://matandocarpinejar.blogspot.com/] 
Teoria queer não é fácil. Não porque seja pedante ou tenha pouca tradução para o português mas porque tem um projeto Herculano de problematização/desestabilização da forma como fomos socialmente construídos. Como corpos válidos, socialmente aceitos à partir da heteronormatividade.
Um bom livro para iniciação nesta polêmica é exatamente a curtinha, mas esclarecedora obra que acabo de ler “O que é transexualidade?” de Berenice Bento. Integrante da coleção primeiro passos, ela afirma coisas como: “Por heteronormatividade entende-se a capacidade da heterossexualidade de apresentar-se como norma, a lei que determina a impossibilidade da vida fora destes marcos [...] para o corpo ter coerência e sentido deve[ria] haver um sexo estável mediante o gênero estável (masculino expressa homem, feminino expressa mulher)” (p. 40).
-O lindo Filme Dummy - um amor diferente que vi por esses dias
Enquando isso... Leio "A maçã no escuro" da Clarice. Clarice não é exatamente uma leitura agradável. Talvez esta seja a obra que mais tenha influenciado os livros de João Gilberto Noll. Vejo nele [no livro de Clarice] embrionários "hotel atlântico"; "Rastros de verão"; Sem falar dos mais recentes como "Lord" e "Berkeley em Belagio".